sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago


Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

Na ilha por vezes habitada

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

2 comentários:

Nadine Granad disse...

Luciana:
Seu espaço está crescendo... belamente!...
Lindos resgates!
Abraços carinhosos =)

jefhcardoso disse...

Eu ao meu himilde ver, este punhado de terra somos nós; seremos; sempre fomos.

Comecei com a leitura de um livro que eu já havia iniciado, porém adiado a leitura; História Do Cerco De Lisboa. Tenho tido pouco tempo para a leitura, mas estou completamente apaixonado por aquelas paginas. Estou comovido com a leitura. Tenho o lido com o coração a disparar. (sorrio). É lindo Saramago, é completamente lindo.

Abraço do Jefhcardoso