sábado, 12 de junho de 2010

Soneto da fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinício de Moraes

Um comentário:

jefhcardoso disse...

Bem, este já há muito tempo que é um dos meus favoritos. Muito popular por conta da canção, mas de um tom delicioso na leitura; tanto quanto na audição da canção.

Abraço do Jefhcardoso